Eles aprendem, plantam e poupam energia para um futuro mais sustentável
23/01/2025
Sexta-feira, 9h20. O sol brilha na cidade, apesar do frio que se faz sentir na rua. Por essa altura, o consumo energético na Escola Básica Fonte da Moura é, 100 por cento, produzido pelos painéis solares ali instalados pelo Município do Porto, no âmbito do projeto “Porto Solar”. O mesmo acontece na Escola da Torrinha e da Lomba. Os três estabelecimentos de ensino receberam a visita do vice-presidente e vereador do Ambiente, Filipe Araújo, que os premiou pelo seu desempenho energético, também com a plantação de mais dez árvores.
As crianças estão felizes. Sabem, na ponta da língua, todos os princípios básicos de educação ambiental, que passam, entre outros itens, pela autossuficiência energética. São elas próprias cuidadoras do espaço nos seus estabelecimentos escolares. Os coordenadores escolares garantem que elas não deixam luzes acesas, avisam professores e auxiliares de educação para o desperdício e levam a mensagem para casa.
Esta sexta-feira, ficaram ainda mais satisfeitas porque plantaram, conjuntamente com o vice-presidente da Câmara, mais árvores, que, daqui a alguns anos, as deixarão felizes. O périplo começou na Escola Básica da Fonte da Moura, pertencente ao Agrupamento de Escolas Manoel de Oliveira.
“Estes projetos têm sido acolhidos pelos alunos de forma entusiasmante. Perguntam, muitas vezes, se os painéis estão a funcionar e se temos resultados. Quanto ao resto, estavam sempre a dizer que a relva precisava de novas árvores”, garante a coordenadora da escola, Alexandra Pinho.
“Estes momentos são importantes para as crianças”
O mesmo se passa na Escola Básica e Jardim de Infância da Torrinha. Mais uma árvore plantada e os mesmos resultados obtidos na autossuficiência energética. “Estes momentos são importantes para as nossas crianças. Sentem que são valorizadas”, reconhece o seu coordenador.
“Trabalhamos, diariamente, com elas a sensibilização ambiental. Inclusivamente, o tema aglutinador do agrupamento [Rodrigues de Freitas] tem a ver com a questão ambiental: os mares”, acrescenta Rui Melo.
A iniciativa “Gamificação de Energia Renovável nas Escolas”, integrada no projeto “Porto Solar”, em parceria com a AdEPorto – Agência de Energia do Porto, promove boas práticas de eficiência energética entre as escolas básicas do Município, premiando, mensalmente, as três instituições com melhor desempenho energético.
Como reconhecimento, as escolas básicas da Torrinha, da Lomba e da Fonte da Moura, que conquistaram o primeiro, segundo e terceiro lugar, respetivamente, no ranking do mês de outubro do ano passado, foram premiadas como forma de recompensar e incentivar o empenho e dedicação da sua comunidade escolar na adoção de boas práticas para a eficiência energética e utilização consciente dos recursos. Como prémio, participaram também na plantação de árvores nas suas instalações ou no jardim da Lomba, como foi o caso da Escola Básica da freguesia do Bonfim.
“Foram muito curiosos aquando da instalação dos painéis solares. Eles são dotados para este tipo de ações”, frisa Alexandra Pires, coordenadora da Escola Básica da Lomba, pertencente ao Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano.
25 escolas básicas já têm painéis solares
No âmbito do projeto de “Gamificação”, já foram instalados sistemas de energia renovável solar fotovoltaica em 29 edifícios municipais, incluindo 25 escolas básicas, permitindo a monitorização, em tempo real, do seu desempenho energético.
“Para mudar paradigmas, para mudar a forma como estamos a utilizar a energia temos de começar pelas crianças e jovens”, reconhece Filipe Araújo.
“Estas três escolas tiveram, nestes meses, produção de energia renovável que foi de quase 35 a 40% da energia que gastaram. É importante apostar na energia descentralizada e utilizá-la de forma eficiente”, acrescenta.
A poupança traduz-se naquilo que o Município do Porto não tem de pagar de energia, que vem da rede. “Estamos muito contentes com esta lógica, incentivando que outros o façam, numa lógica de maior sustentabilidade e preservação do planeta”, conclui o vice-presidente.
As crianças das três escolas básicas tiveram, pelo bom comportamento ambiental, um brinde especial: todas receberam lápis sustentáveis, os quais podem ser plantados após o seu uso, através de uma cápsula de sementes solúvel em água incluída no topo.
Esta ação reforça o compromisso assumido no Pacto do Porto para o Clima, ao promover a educação ambiental e a eficiência energética desde a base escolar, alinhando-se com os objetivos estratégicos de transição energética da cidade, incluindo as metas estabelecidas pelo Município, no âmbito da neutralidade carbónica até 2030.