Especialistas debatem o papel da sustentabilidade e inovação para reforçar a competitividade
13/02/2026
A conferência “Sustentabilidade e Inovação Empresarial: Caminhos para a Competitividade” reuniu um conjunto de especialistas e decisores para explorar de que forma as organizações podem reforçar a sua estrutura através de práticas sustentáveis e modelos de gestão mais responsáveis. A sessão, que decorreu nesta quarta-feira, dia 11, na Universidade Lusófona do Porto, contou com a participação da vice-presidente da Câmara, que partilhou algumas reflexões relativamente ao papel das políticas públicas nestas áreas de atuação.
Referindo-se à importância das cidades enquanto motores de mudança, e dos compromissos a longo prazo para a sustentabilidade, indo além dos ciclos políticos de quatro anos, a também vereadora do Ambiente e Sustentabilidade, Catarina Araújo, exemplificou o trabalho que o Município do Porto tem vindo a desenvolver.
“São exemplos disso, o Pacto dos Autarcas, o Green Accord, o Pacto do Porto para o Clima ou, mais recentemente, o Contrato-Climático de Cidade, assumido aquando da seleção da nossa cidade para o restrito lote das 100 cidades europeias na Missão ‘Cidades Inteligentes e com um Impacto neutro no Clima'”, referiu.
Passando das palavras à ação, o Porto tem caminhado para uma economia cada vez mais circular. Destaque, por exemplo, para as medidas levadas a cabo para prevenir o desperdício alimentar e promover, com os produtores locais, as cadeias curtas de abastecimento; reutilizar a água tratadas das ETARs; e prolongar o ciclo de vida dos materiais através da reparabilidade (exemplo disso é o projeto “Reboot”, que acabou por evoluir para o EcoPorto – Centro de Circularidade do Porto, que permite proporcionar uma segunda vida a objetos que acabariam no lixo).
Quanto à descarbonização, o concelho já reduziu as emissões de gases com efeitos de estufa (GEE) em 52,2% desde 2004, sendo que a maioria das emissões de GEE na cidade provêm dos transportes (39%) e dos edifícios (51%).
No âmbito do Plano de Ação Climática de 2.ª geração (o 1.º foi em 2016), foi definida como prioridade a proteção de pessoas e do território dos extremos climáticos.
O Município também tem procurado conservar e potenciar as chamadas “Soluções baseadas na Natureza”, com o desentubamento e renaturalização de linhas de água; a construção de “parques-esponja” (como o da Asprela e da Alameda de Cartes); a expansão das florestas urbanas nativas (ao longo dos nós da VCI e nos jardins privados); e um estudo de incentivos fiscais adequados para mobilizar construtores a introduzir soluções baseadas na natureza e medidas bioclimáticas nos edifícios.
Mobilizar a sociedade, transformar o mercado e humanizar as políticas
“Consideramos ser essencial e urgente o envolvimento de todos os atores da cidade, principalmente os mais relevantes, e que conseguem atrair a participação e o empenho dos cidadãos”, sublinhou a responsável política. Catarina Araújo relembrou o papel do Pacto do Porto para o Clima, do qual a Universidade Lusófona é subscritora, e que prevê o compromisso dos atores locais. Conta atualmente com 296 subscritores institucionais e 2046 individuais.
A vice-presidente da Câmara do Porto explicou que a autarquia se encontra a desenvolver uma política de compras “com metas progressivamente mais exigentes e com iterações com a rede de fornecedores para criar condições para adaptação do próprio mercado”, por exemplo nos refeitórios municipais.
A neutralidade carbónica deve ser procurada nas atividades económicas e na mobilidade urbana, a energia tem de estar acessível e ser sustentável, a economia circular dever gerar novos empregos e contribuir para o PIB, a biodiversidade deve ser a base do bem-estar.
Catarina Araújo sublinhou, ainda, que, no entender do Município, numa política de sustentabilidade à escala local, “as pessoas devem ser sempre o centro das soluções técnicas e políticas”.
A conferência reuniu responsáveis pela área da sustentabilidade no contexto empresarial e no setor público, que apresentaram diferentes perspetivas sobre a integração da sustentabilidade nas estratégias de inovação e criação de valor.
A sessão insere-se num ciclo que pretende promover a reflexão e a troca de experiências sobre temas atuais da área da gestão, aproximando a academia do mundo empresarial.